Os amigos já sabem, fui assaltado! 2 amigos estavam comigo, mas só eu fui assaltado, "coisas da vida" como diria Vonnegut.
Fui assaltado mais de 10 vezes durante a minha vida, quase todas em Aracaju, apenas 3 aqui em Feira, 3 ou 4, tanto faz, não importa o sotaque, é o mesmo texto: "passa o dinheiro, passa o celular!".
Eu disse que não tinha dinheiro, até diria que não tinha celular (que mentira, todo mundo tem celular!) mas 10 segundos antes do menino chegar com a arma na mão eu havia tirado o celular do bolso para olhar as horas, alguém me disse que relógios evitam assaltos.
Sim, era um menino, um menino que ao contrário de mim, provavelmente, nunca teve um vídeo-game, talvez a maior diferença entre nós seja esta. Um menino, e um menino com farda de escola, sim. Não sei se não houve aula, não sei. O que sei é que no meu tempo, matava aula pra jogar bola, pra assaltar, não! (não que eu me lembre)
O que mais ouvi, além do discurso absurdo dos pais, que sempre sucedem aos assaltos ou acidentes, foi o "esses miseráveis merecem morrer" ou coisa equivalente. Não concordo, acho que quem merece morrer já está morto, um dia também mereceremos, todos nós, menos a Hebe Camargo e o Sílvio Santos, assim como quem está vivo merece estar!
Pra acreditar em mérito, teria que acreditar em justiça e em outras coisas que não consigo! Além do mais, não espero muito mais que violência do mundo em que vivo, ele é insustentável, o modelo é cruel, é violento, respostas violentas me soam com muita naturalidade - não sei se posso falar em natureza - não conhecemos a natureza, só conhecemos a cultura.
Ao fim de tudo: "Tanto Faz!"
domingo, 8 de abril de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
ela
Um outdoor lhe fez lembrar a comemoração deste dia, sem perceber, agradeceu ao deus no qual já não acreditava há tanto tempo por não ter checado a caixa de e-mails e ter esquecido o telefone celular em cima da mesinha no canto do quarto; há essa hora, quantas mensagens inúteis e melosas ela já teria recebido?
Reclamou do barulho das pessoas no ônibus, reclamou do barulho do ônibus.
Pensou que deveria estar feliz, talvez recebesse um buquê neste dia. Um buquê. Talvez do imbecil do chefe, ou de outro imbecil qualquer. Tentou capturar no olhar das outras algo que impusesse importância a este dia, mas encontrou apenas o próprio cansaço.
Fazia pouco caso da luta, ainda menos da história, “porra de direitos iguais!” dizia entre dentes, não que vivesse em busca de homem que lhe abrisse a porta do carro, que a levasse para jantar, pagasse a conta do motel, ajudasse a fechar o sutiã depois da foda, levantasse a tampa do vaso ou outros cavalheirismos, não sonhava em se casar, há tempos nem sonhava mais, não pensava em filhos, até tentou ter um cachorro, mas não deu muito certo: ela falava com ele, mas ele jamais lhe respondia. “Tem nada direito e só isso é igual”, bufava!
Pensava que seria indiferente caso fosse homem, estaria calor do mesmo jeito, pegaria o mesmo ônibus para o trabalho - o trabalho é sempre igual - talvez ninguém se esfregasse em seu corpo como, volta e meia, algum babaca fazia, talvez, sendo homem, fosse ela mesma a esfregar o pinto em alguma gostosa.
Pensou em ligar pra sua mãe e para a irmã a fim de dar-lhes os parabéns, faria isso assim que chegasse em casa. Lembrou do aluguel atrasado, das contas atrasadas, da vizinha velha e do seu rádio velho, “desgraçada!”.
Desceu do ônibus, entrou no escritório, foi até sua mesa, onde já lhe aguardavam um cartão e um buquê.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
pior é na feira de santana...
Boa tarde/noite/manhã, meu Brazil!
Sim, o assunto é mais ou menos a greve da polícia militar da bahia. Digo mais ou menos, pois, não pretendo defender o lado de ninguém, nem reproduzir o papinho do sou contra, sou a favor da greve, a minha agonia é outra, e sim, este blog é sobre o que me incomoda, basicamente, minha agonia é que a gente não consegue passar um dia sem alguém pra nos prender em caso de estupidez além da conta.
Não gosto de polícia e nunca tentei esconder isso, minha mãe diz que quando criança, ao invés de loucos, médicos, ou mortos, eu tinha medo de policiais (piadinhas liberadas. não, não sou corintiano); como minha grande sorte me acompanha desde sempre, fomos morar em um prédio e bem em frente morava o delegado de aracaju, segundo minha mãe, cada dia era uma novela, eu só saía de casa depois que o delegado tivesse partido pro seu trabalho.
Fodam-se os motivos tortuosos de uma greve, sabemos bem, é aumento salarial. "Não é só isso, são melhores condições de trabalho e blá blá blá", uma porra, não sou menino! O que me assombra é a dependência, a polícia, o estado, a escola, eu, você, a cerveja no bar, a internet banda larga, o futebol, a arte, tudo compõe este círculo maldito/bendito chamado vida em sociedade, e quando digo dependência é dependência mesmo, dependemos de um algoz, de uma censura, de armas, algemas, radares, câmeras, porque não sabemos exercer o mínimo de liberdade sem fazer um monte de merda!
"Mar péra aí que eu não saí por aí robano nem matano, não!" Não saiu porque não precisou, ou não teve coragem! Quando digo nós, não tô falando da classe média que tá lendo esta porra, tô falando de nós enquanto espécie. Basta sabermos que não estamos sendo vigiados e reprimidos que logo atentamos contra os outros e a nós mesmos.
"Ah como é que a gente vai ficar sem polícia? Quem vai nos proteger? "

Porra, eu sei que é idealismo, que beira a utopia, que crime e maldade sempre existiram "sempre existirão", mas o nível é tão baixo assim? Um dia sem gente fardada e armada te olhando de cima pra baixo e você se sente tão imortal e superior a ponto de sair por aí pintando a miséria? Sim, é isso que somos. E é pra isso que fomos adestrados, adestrados sim, educados uma ova. Nossa educação só serve se tiver um guardinha por esquina.
A gente não sabe caminhar no próprio bairro sem uma coleira que já tenta morder alguém ou cagar na porta do vizinho!
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Ponte
Há uma ponte de tédio, dias vácuos, uma semi-breve de silêncio, mesmice e nada! Há uma ponte sem graça entre o natal e o último dia do ano!
Todo fim de ciclo é um tanto triste! Todo fim de tarde! Todo fim de ensaio, todo fim de texto! Tudo deságua em melancolia! Contudo, mais triste e chato que o fim do ano, é esta semana bem planejada em que nada funciona direito entre o natal e o fim de ano!
Se há um tempo propício ao suicídio é esta semana, e se você mora nos trópicos... tá esperando o quê?
Não há saídas, se você não faz nada, como eu, a vida fica mais chata ainda, mais parada, e mais quente putaquepariuquecalordaporra, mas, se você trabalha e contribui para o progresso desta nação o seu trabalho oferece duas situações: na primeira não tem nada pra fazer e você tá pensando em suicídio, na segunda você tá trabalhando pra cacete, enquanto a maioria não tem nada pra fazer e você está planejando um suicídio!
Tá muito feliz este post! Parabéns pra mim!
Gosto cada vez menos do natal, não ganho mais bonecos dos Comandos em Ação, não tem porque gostar, nem ceia tivemos este ano, não houve chester, nem farofa com passas e maçã, nadinha! Do Reveillon nada tenho a dizer, não percebo a magia do momento, se tento recordar as últimas viradas de ano, vejo baralhos e um playstation, basicamente! Vejo mais grandeza nos fins da tarde quando de um lado do azul há o sol tentando se impor, e do outro uma lua de nuvem avisando que a noite está perto, do que na troca de ano do calendário que a padaria vai nos dar!
"O último dia de dezembro é sempre igual ao primeiro de janeiro". Concordo com o Humberto, quase sempre é verdade; os dias poderiam ter todos o mesmo nome, a diferença entre eles é se aqueles cinco desocupados me acompanham numa rodada de cerveja ou não!
Entre o natal e o ano "novo" acontece o aniversário do meu pai, dia de comprar uma camisa de botão e abraçar aquele corpo velho, ficar atento pra ver se escapa um sorriso ameninado, e comer algo maravilhoso que minha mãe preparou para ele por não saber dizer "eu te amo" ou qualquer bobagem equivalente!
Há uma ponte de tempo entre o natal e o fim do ano!
domingo, 18 de dezembro de 2011
não sei do que vou falar
Não é brincadeira, não sei mesmo! Ah, agora eu sei, já sei, é assim:
Eu tinha uns oito anos, nove talvez, na minha casa em Aracaju, no conjunto Santa Lúcia, tínhamos um doberman, o nome era Rack, ou Hack, ou Raque, vocês entenderam; não sei porque, o meu pai deu o cachorro a um cara que tinha uma empresa, no mesmo dia o cachorro fugiu, e ao tentar atravessar a avenida em frente à empresa, foi atropelado e morreu!
Mal lembro do cachorro, lembro de não interagir muito com ele, mas lembro do meu pai cabisbaixo, circulando a porta do quarto sem entrar, coçando a cabeça como eu costumo fazer quando não sei bem o que fazer. Entrou meio estranho, sentou na beira da minha cama, e disse com a voz grave de sempre: "Raque morreu!" Lembro de ter chorado muito. Achei que deveria chorar. É o procedimento convencional, não é mesmo? Lembro dele dizendo que isso acontecia, que era melhor ter sido o cão do que ele, ou minha mãe, ou um dos meus irmãos. Lembro das justificativas, mas era muito novo, não entendia bem o que era a morte, por que se morria, afinal de contas?
Sim, ele estava certo, melhor ter sido o cão, qualquer cão, do que um deles, se hoje aos 25 anos não consigo entender como será a vida sem os meus pais, aos oito seria ainda mais estranho! Só que, em momentos em que a notícia mais celebrada da semana é uma mulher matando um cão, e a sociedade simulando revolta pedindo a morte da mulher, a fala do meu pai ganha ainda mais força, melhor que tenha sido um cão. Crianças são espancadas até a morte, mulheres, mulheres grávidas: um combo de estupidez, homens são espancados e mortos dia e noite. Sim. Melhor ter sido o cão!
É uma brutalidade, um absurdo! O mundo é absurdo, brutal, injusto, violento! Ficaremos calados diante da covardia, não faremos nada? Não sei, façam o que precisarem fazer, e tentem não cobrar de mim quaisquer posturas que demandem grande energia. Num ringue de boxe, no trânsito, no tom de voz para com o outro, somos seres violentos, sempre fomos, sempre seremos.
Sobre o cão que morreu, já está morto, o Barcelona foi o campeão, as notícias,revoltas e simulações de emoção duram no máximo uma semana, depois se esvai, se enterra, feito um cão morto, ou homem morto!
Hoje descobri que a minha "linha da vida" se finda e recomeça, aos quiromancistas de plantão: não ousem me trazer de volta!
"Esqueça os mortos, eles não levantam mais!" (Dylan/Caetano/Gessinger)
domingo, 11 de dezembro de 2011
Para quê?
"É inútil!"
Foi a primeira frase que proferiu antes mesmo do ousado gesto de abrir os olhos, ainda na cama, e já entediado, repetiu como quem confirma uma sentença: "É inútil!"; e rolando o corpo sobre a cama enquanto tentava desamarrar as pernas do cobertor apertou forte o nada entre os dedos da mão direita e decidiu que não sairia dali.
Ele não tinha ideia em qual dia da semana estava, mas, possuía a certeza de que não valeria a pena saber, era mais um dia, como qualquer outro, mais quente talvez - dezembro traz ares infernais pouco antes do natal, deve significar alguma coisa -, talvez a temperatura fosse a mesma de sempre, é inútil saber quantos graus célsius estão espalhados pelo ar, inútil!
Seria inútil levantar-se, o mundo seria o mesmo, o café amargo, quase frio da noite anterior, o pão dormido, duro, escovar os dentes cheio de pressa, arrumar o cabelo, sair, o "bom dia" do vizinho, a roupa curta da vizinha - uma pena que seja casada - os passos apressados a caminho do ponto do ônibus, o ônibus, a gente do ônibus, a mesma gente, aquela procissão de enfermos rumo à basílica do capital, a rádio evangélica, os gritos de um pastor, as moedas tilintando em frente ao cobrador, a firma, roupas e rostos uniformizados, seus pares infinitos, todos à espera do milagre no contra-cheque do fim do mês, mês sem fim!
"É inútil!" Repetiu bufando, com a mesma expressão descrente de cada dia, olhando para a mesma parede branca. Pensou naquela moça que vez por outra dormia lá, ela tinha um nome, mas ele sempre a chamava de querida. Ela nem era tão querida assim.
Por um segundo, pensou em levantar, mas ponderou, pensou no mundo - rotação /translação, causa/efeito/causa, pedra/papel/tesoura -; o sol, arrogante como sempre, invadia o quarto por cada brecha, lembrou de Gregor Samsa! "Inútil", até Kafka é inútil!
Exatamente a qualquer hora, a luz parou de lhe ferir os olhos, percebeu certa calmaria lá fora, ouvia, ao longe, o rumor de carros parando, buzinas, abrir e fechar de portões rua abaixo: a noite.
Lembrou que por todo o dia ninguém batera à sua porta, nenhuma chamada no celular, nem mesmo sua mãe, nem a querida - nem tão querida assim -, tivera alguém notado a sua ausência?
"Inútil!" repetia ele, entre risos e lençóis!
domingo, 4 de dezembro de 2011
Então é Natal, e o que foi que eu fiz?
é assim, a gente abre os olhos e já é dezembro, não sei pra onde o mundo vai com tanta pressa!
e fim de ano é aquela alegria espalhada, as casas cheias de luzes coloridas, aquele pinheiro tipicamente brasileiro, o presépio com vaquinha e tudo, aquela versão de "Então é Natal" gravada pela Simone, que se Jesus imaginasse que seria feita tinha desistido de nascer, eu falo mesmo!
aquela romaria tresloucada a comprar presentes para o amigo secreto do trabalho, da escola, da faculdade, do A.A, da casa de Swing, da Igreja - tem gente que vai ganhar dois presentes -, comprando bugiganga pra enfeitar a casa, comprando cd da Simone pra piorar a vida de todos, comprando comida, entrando no limite do cheque especial, dando a alma como fiança do cartão de crédito. bem vindo, dezembro!
há mais pessoas nas ruas no natal, pessoas que não existem circulam nas ruas, uma manada de zumbis e suas sacolas cheias, são pessoas de natal, como canções de natal, bolas de natal, presentes de natal e etc.
não gosto, não gosto mesmo! tirando a reunião familiar e seus sabores (muito mais saborosos na infância, quando ignorávamos a hipocrisia prevalecente), pouco há para aproveitar! O feriado, os feriados, dádivas do cristianismo para esta sociedade ocidental!
não tem jeito, o natal chegou, está aí, com suas liquidações de roupas, brinquedos, pacotes de viagens, e liquidando a minha paciência que já não é lá grande coisa! é natal, troquem presentes, sorrisos, injúrias, o que quiserem, mas por favor, façam a Simone calar a boca!
filís natau
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