domingo, 19 de novembro de 2017

De peito aberto!

abrir o peito!



imagina que louco um sujeito com alma de poeta que foi obrigado pela família a cursar medicina e hoje se tornou um cirurgião? um cardiologista em crise profunda diante do seu paciente na mesa de cirurgia. ele precisa fazer com o outro, mais uma vez, o que nunca pode fazer consigo mesmo: abrir o peito.

abrir o peito dói e sempre dói, e há quem queira nos fazer tal cirurgia sem qualquer anestésico, quer que cheguemos diante deles e de seus orgulhos malditos e abramos a nossa carne, dizem que é nossa obrigação abrir o peito, revelar nosso interior. dizem de nós mas não fazem, tal como o médico que empunha friamente um bisturi e expõe as entranhas do outro mas cujo peito selado permanece.

abrir o peito dói e sempre dói demais. se dói em ti, dói no outro também! abrir o peito pode até matar, e mesmo que ocorra tudo bem, geralmente deixa uma cicatriz muito grande, que demora pra sarar, pra fechar de novo, e caminhar nesse mundo de peito aberto é arriscado pra caralho. 

abrir o peito dói e sempre dói pra caralho!



"por que você não sua quando toca? por que você não sua quando ama?"


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