terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Burro

tô ficando mais burro.

tô ficando mais burro, sim, é sério. não ria. ou ria, se precisar. mas tenho ficado cada vez mais burro.

da infância até agora - 26 anos, puta que pariu, daqui a pouco faço 30, imagina o quão idiota serei aos trinta? - desde a infância quando a professora disse que eu era mais sabido que os demais, por isso me colocaria numa turma mais adiantada, depois, quando o professor de geografia da quinta série me reprovou, me devolvendo ao estágio do qual não deveria ter saído, ambos não se deram conta de que eu estava me tornando mais burro.

de todo os sintomas que eu poderia apontar para a progressão da minha babaquice, o mais atual foi ter passado algumas horas com os fones de ouvido por sobre a cabeça sem ouvir música, apertando minhas orelhas; se chamam headphones, ou fones de cabeça - até hoje não inventaram fones de cabeça que não apertem as orelhas, ou se inventaram são caros o suficiente para que só pessoas ricas não tenham suas orelhas apertadas -. isso não deve ser normal.

lembro de ter imposto uma condição a mim mesmo: "ou tira os fones, ou põe alguma música em mp3 pra tocar". mas, na indecisão, sigo sem músicas e com fones até agora. isso não pode ser normal. mp3 é uma coisa que na prática não existe.

enquanto emburrecia, fui encontrando pessoas que diziam que eu era inteligente - inteligente é uma pessoa que ainda não ficou bastante burra, ou que ainda não foi descoberta - isso me fazia pensar que elas também estavam ficando idiotas com o tempo. acho que por me verem com livros na frente dos olhos - livros são mapas de fazer pessoas burras parecerem inteligentes e confiáveis - elas pensavam isso de mim.

a gente passa um bom tempo lendo, estudando, aprendendo coisas novas e inúteis que nos deixarão mais arrogantes, assim tentamos frear a ação do tempo que nos emburrece, é vão, contudo, se a arrogância cultivada for suficiente, você nem percebe o quanto está ficando burro, e até se acha mais sábio, sábios é como todos os seres humanos se sentem, principalmente os velhos, apesar de terem tido muito tempo para envelhecer e ficar bastante burros, o suficiente para morrerem.

tenho ficado mais burro, mais velho, mais sábio e mais morto também.



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

pronto!

Há tempos atrás, um bom tempo, me parece, mas pode ter sido ontem pela manhã (quem me conhece, ao menos um pouco, sabe bem que tempo não é comigo), quando eu era um adolescente, o tédio era seguido por um tipo de energia que me empurrava a fazer alguma coisa.

Alguns chamam a isso de inspiração, angústia criativa. Não lembro de, nesta curta existência (longa de mais, porém), ter acreditado em inspiração. Prefiro tratar por vontade, vontade de qualquer coisa, de sobreviver matando o tédio. Tudo que fiz começou na vontade de fazer, de bom ou de ruim, não vou tentar lembrar algo bom agora, chega de frustração por hoje! Vontade, alguém quer, vai lá e faz, e pimba.

Estranho é que há tempos não quero nada, não quero fazer. Acho que me acostumei com o mundo pronto, os seres prontos, verdades prontas, modelos prontos, sorrisos prontos, arte pronta, vida pronta, morte pronta. Deem-me pronto, tudo pronto. 

Hoje, senti novamente aquela agonia típica da adolescência que pede um exorcismo, fosse que fosse um poema, uma letra de música, uma reza pronta ao deus pronto, sempre pronto para ignorar, meia dúzia de acordes, fosse o que fosse pra matar o tédio e simular sentido no que não concentra sentido algum. 

Não fiz uma canção, nem letra para uma canção, nem peguei o violão, sequer escrevo a fim de matar meus demônios, escrevo para dizer que eles venceram e que a noite será imensa, mas que tanto faz, vou comer o que tem pra hoje.

Às canções que estão no éter ou sob gordura e lodo deixados nas cordas da guitarra à espera de forma: apareçam quando quiserem, se quiserem. Se podem escolher, não saiam de lá, tratarei vocês como um pai trata um filho, com injustiça e severidade, jamais confiarei em vossa importância ou capacidade, surrarei cada nota com minha voz triste, cheia de médio e desafinada. 


p.s: se alguém souber o que é que eu tô fazendo aqui, me manda um e-mail contando!


http://www.youtube.com/watch?v=-AI3KSC7mI8&feature=related

domingo, 14 de outubro de 2012

"você merece"

"peço licença pra entrar em vossa casa, meu caro senhor, minha cara senhora!"

é assim que, de dois em dois anos, sujeitos iniciam seus discurso em busca do emprego dos sonhos. não falarei dos tipos bizarros ou mais bizarros que aparecem na tv após o almoço ou a janta (isso pra quem almoça e janta),  falarei de um fato que me chamou muita atenção na última eleição aqui em feira, o reacender da crença entre os jovens medianos da cidade.

aqui na cidade, apareceu um candidato novo disputando o cargo de prefeito, afiliado a um partido de bases ideológicas socialistas, mais que isso, um partido fundado por ex-membros do partido dos trabalhadores insatisfeitos com as mudanças ocorridas no mesmo.

não obstante a pequenez do partido, o seu candidato ganhou a simpatia, e mais que isso, a crença de muitos eleitores, em geral, jovens, universitários e interneteiros de plantão, pessoas que encontraram no cidadão que prometia mudar a cidade "pela raiz" um novo baluarte, capaz de devolver aos frequentadores de open bar a fé na transformação política, tirando das mãos do empresariado local o poder de decisões, pensando nos mais pobres, na educação, saúde, segurança, transporte e no MEIO AMBIENTE, a bola da vez.

nada contra o candidato, nada mesmo. o que me atraiu a atenção foi a movimentação de um coro apaixonado e crente de "Tô com o rasta!", uma clã esperançoso de que uma nova proposta política pudesse ter bom êxito e posteriormente fazer a política que se espera como se espera o paraíso, muito similar ao que os pais desses mesmos jovens (de muitos deles, ao menos) esperaram do pt nos anos 80, sem facebook pra mudar o avatar, mas com a mesma paixão.

pt que, para chegar ao poder, precisou mudar, precisou decepcionar, precisou aprender a operar o estado aliado às corporações privadas, aprendeu a fazer política e a fazer a barba (no caso da dilma, claro). o psol já sabe, aprendeu lá, com eles. nós também já sabemos onde isso vai parar, mas carecemos de paixões, ideologias e crenças.

eu voto porque é obrigado e porque é de graça!


~~~~eu tô com o rasta~~~~

domingo, 30 de setembro de 2012

o retorno (the return em inglês)

pessoal, estou tentando retornar, não é fácil! o interesse primário era de gravar um vídeo, adiei por semanas o processo árduo e cansativo de por as pilhas da câmera para carregar, quando, finalmente, decidi fazer, minhas portas usb queimaram "so it goes", então, que se foda, vai ser texto mesmo para provar a todos que sou parcialmente alfabetizado.

da última postagem até hoje muitas coisas ocorreram: uma monografia, um projeto pra ganhar dinheiro (ainda em fase de espera com o c* na mão), alguns shows de uma banda, muitos shows da outra, muitos sapos engolidos, umas raivas, sexo que é bom NADA, uns dvd's do pearl jam porque ninguém é de ferro, mais barriga, menos dinheiro, "so it goes".

eu pretendo voltar aqui pra falar sozinho, uma vez por semana ou quando der (sem ousadia, gente), volto pra falar deste momento bárbaro da sociedade democrática chamada processo eleitoral que te acorda nos domingos pela manhã com buzinaço, carreata, fogos de artifício, jingles parodiando todo o sertanejo universitário que você achou que não poderia piorar, "so it goes".

voltarei em breve com a temática das eleições, se deus quiser!




boa semana de trabalho pra vocês, cristãos!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

1, II, três...


Um, dois, três: valendo!

Nunca foi tão fácil decorar meu endereço. Quase ninguém está seguro quando deve informar onde mora. Estamos seguros sobre onde moramos (espero), mas informar é sempre estranho, sempre em falso, não pensamos o nosso endereço, apenas sabemos. Sabendo-se chegar a nossa casa, está tudo bem (espero).

É como a velha desculpa de não saber o número do próprio telefone por jamais ligar pra si mesmo (atitude sempre tão normal: não ligamos pra nós mesmos, ocupados demais em ligar para a vida e telefones alheios).

Nunca foi tão fácil decorar meu endereço, pois, o número da casa é 123. Isso mesmo: cento e vinte e três; um, dois, três. É com esta última versão que me refiro ao meu endereço quando um recepcionista, atendente ou qualquer desinteressado pergunta o número da residência: “número um, dois, três”.

Tenho poucos segundos para contemplar a surpresa lúdica no olhar do outro. Se tivesse que apostar em qual o pensamento imediato do meu interlocutor, apostaria num: “que coincidência! Um, dois, três!”
Há quem diga que os números impõem uma interferência mística em nossas vidas, há quem mude de nome, quiçá de endereço por causa deles, estranho pensar que nós inventamos os números e não o contrário (espero). Para mim, são apenas números que, assim como a palavra “número”, serve, tão somente, pra representar uma ideia.

Certa vez, numa agência bancária, peguei a senha de número 666, nos longos minutos de espera, desejei intensamente para que a moça do caixa fosse evangélica, dia chato, sabe como é. A moça não era, não devia ser, talvez fosse, não sei. Ela sequer olhou o papel que entreguei entusiasmado, “apenas números” deve ter pensado, ela sequer me olhou, também, “apenas mais um número”, deve ter pensado.

Um, dois, três salve eu, salve todos, salve-se quem puder.

viva são timbum!!!!!!!!!!!!!!


Anarriê

Faltou o texto do São João, fiquei sem internet durante o feriado da festa, coisas da vida, coisas da Oi Velox. Mas havia a ideia sobre o que escrever e não quero deixar passar, porque idéias são cada vez mais raras.

Pra um nordestino como eu, é muito fácil disparar o clichê: “São João é a melhor festa do ano”, pode ser mesmo, se puder ser. Mas, quando você não vai a qualquer festa, não viaja e ainda fica sem internet é muito fácil esnobar a importância do santo.

Cheia de exuberâncias e injúrias, a festa é marcada por peculiaridades, a palavra “típica” é repetida ao ritmo dos estouros - a cada ano, mais altos e mais imbecis dos fogos. A bebida é típica, a comida é típica, a dança típica, a música típica (hey, essa já foi, ouvi mais pagode do que forró, neste ano: coisas da vida).

Lembro das festas de São João nos tempos de escola, havia uma missão particular: fugir da quadrilha, não importa quais desculpas inventar, não dançar quadrilha é uma conquista da infância da qual jamais esquecerei. Além de fugir da quadrilha – anarriê - olha a chuva – é mentira -, uma ambição era entender por que diabos, na mesa de comidas típicas, onde cada mãe deveria levar um prato, constavam laranjas e pipocas.

Havia canjica, bolo de milho, de aipim, amendoins, pamonhas (que dá um trabalho desgraçado pra fazer), licor não tinha, infelizmente (terceira série, pô!), e sempre: laranja e pipoca. Que esculhambação é essa? 

Pipoca é foda! Pipoca só é comida típica em junho em ano de copa do mundo. E laranja? Laranja é comida típica o ano todo. Porém em junho, ao invés de fazer suco, a povo chupa a fruta, porque sim.

Alguém pode me ajudar a desvendar o último mistério típico que me acompanha desde sempre nas festas de junho? “Anarriê” quer dizer que porra?


domingo, 10 de junho de 2012

chegada

antes mesmo de chegar à cidade, já sabia quem prestava e quem não. antes mesmo de chegar, já sabia de tudo que acontecia por aquelas partes do mundo - mundo de partes iguais - e tudo o que haveria de ocorrer. tavares já lhe havia adiantado tudo, lhe dissera onde deveria procurar um quarto, onde comer, onde beber, com quem falar, principalmente, com quem não falar e o que não falar. desculpem, tavares era o motorista do ônibus que o levara até ali. tavares: um bom sujeito, um sujeito qualquer.

uma placa verde gritava "bem-vindo". ele não entendeu. e ao descer naquele lugar foi olhado, mapeado, narrado pelas mentes silenciosas. nem sabia ele que todos também já o conheciam, sabiam a que viera, sabiam como ele seria, sabiam do seu futuro, sabiam exatamente quem ele poderia ser.

nunca soube como chegara até ali, é certo que não decidira por aquele lugar, apenas abriu os olhos e lá estava, sendo o que tinha que ser. talvez o sol estivesse a pino, ou talvez estivesse nublado, ou chovendo. não, chovendo não estava, ele sentiria, sentiria alguma coisa. de certo, pelo movimento de todos, era meio-dia, todos sentem fome à mesma hora. ele não estava com fome, ou talvez estivesse, de qualquer sorte, sabia que era a hora de comer, e todos comeriam.

enquanto comia - exatamente onde lhe disseram para comer -, olhava ao redor; tentava entender como tudo funcionava. lembrou do que tavares lhe contara a respeito de todos, todos o observavam, como deuses famintos esperando o átimo do juízo e da sentença. erguia os olhos volta e meia, todos estavam lá, a comida era horrível, a moça que lhe trouxera o prato-feito não, era uma moça como todas as moças de todas as partes do mundo - mundo de moças iguais -, por que se preocupavam dele? todos já sabiam o que seria. a comida era horrível, "que se foda", pensou, e continuou a comer.

a comanda, molhada pela lata de coca-cola, registrava R$ 12,00; era um preço muito alto por algo tão odiável, mas não tinha outro jeito e ele haveria de pagar.